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Patriotismos, Regionalismos, Bairrismos…

É engraçado aquele tipo de pessoa que vive a cantar as belezas, alegrias e vantagens de sua terra, ainda que viva em outro lugar. Claro que algumas pessoas podem estar afastadas de sua terra natal por motivos diversos contra suas vontades, por isso, refere-se aqui às pessoas que mesmo achando sua pátria, cidade ou bairro a melhor coisa da civilização não cogitam voltar.
Se está em outro lugar para “ganhar a vida” é porque não encontrou oportunidades de onde veio, portanto, isto, por si só, desmente a tese que é o melhor dos lugares.
Todos têm seus prós e contras, mas esse louvor exagerado soa como arrogância (e até hipocrisia). Como disse George Bernard Shaw: “Patriotismo é a convicção de que seu país é melhor que os outros porque você nasceu nele”.

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A Derrota de Anderson Silva

Não sou fã de Vale Tudo, mas tenho a curiosidade de ver sempre que uma luta importante está para acontecer.
O Ultimate Fighting Championship, dirigido por Dana White, é calcado na forte promoção de seus lutadores e eventos, ampliando o interesse no esporte (?) para além das academias e aficcionados por lutas. Tornou-se um evento de massa com uma legião de fãs dispostos a pagar algumas centenas de reais para ver as lutas.

Anderson Silva é o maior ídolo nacional. Carismático, com fama de bom moço e pai de família, The Spider tornou-se presença constante em comerciais, programas de auditório e outros eventos; torcedor do Corinthians, foi imediatamente recepcionado pela torcida como representante do time. Além de seu desempenho nos ringues, ajudou nesse crescimento a superexposição a que foi sistematicamente submetido, especialmente após o ínicio da transmissão em televisão aberta pela Rede Globo, alçando-o ao status de mito. Com tantos compromissos, alguém poderia perguntar como andaria seu treinamento. A penúltima luta, contra Chael Sonnen, dirimira dúvidas contra seu preparo, visto a facilidade com que derrotou o adversário. Ontem, a coisa mudou.

Logo no primeiro minuto, Anderson foi levado ao chão, golpeado com dureza na cabeça e quase sofreu uma imobilização fatal. Durante tudo isso, mostrou-se calmo, utilizando sua técnica para impedir o fim da luta. Novamente em pé, passou a provocar o adversário até atingir o ponto do exagero. Cumprimentou o adversário ao final do round e ao ínicio do novo, como se mostrasse que a zombaria era uma tática e não desrespeito ou arrogância.

Mesmo golpeado algumas vezes, Anderson manteve a conduta até que o adversário acertou um soco que o levou ao chão e à derrota.

Observando os comentários dos fãs pela internet, as causas da derrota variaram entre a idade (38 anos), falta de desejo, arrogância e teorias da conspiração sobre a entrega da luta. Alguns disseram que se ele não tivesse brincado, teria vencido facilmente. Não vi ninguém elogiar as qualidades do adversário com um histórico de nove vitórias e nenhuma derrota.

Para mim, que pouco entendo do mundo do MMA (Mixed Martial Arts), Anderson Silva viu que encontrara um adversário, naquele momento, superior. Mais do que confiança exarcebada, sua encenação serviria para desestabilizar o adversário, permitindo-lhe ter, ao menos, o domínio psicológico da luta. Assim parecia e o segundo assalto seguia equilibrado até que Chris Weidman acertou um soco perfeito.

Não acredito em entrega, e o fã que realmente acredita não tem mais motivos para acompanhar as lutas. A não ser que, mesmo ciente disso, assista porque gosta de toda a encenação. Porém, se fosse para ver lutas de mentira, eu preferiria a velha e extinta World Wrestling Federation.

Quem sabe como teria sido, então, um duelo entre Anderson Silva e o lendário Hulk Hogan.

Hulk Hogan

Dois Josés Protestam

Em Florianópolis, os protestos ganharam força. José Silva e José Jr. participaram do evento. Este combinou a participação com seus amigos pelo Facebook, ajudou a escolher as palavras de ordem, onde se encontrariam e como colaborariam com esse grande movimento nacional.

Algum tempo depois, José Silva entrou no ônibus que o levaria para casa após o dia de trabalho quando viu aquela massa de pessoas se deslocando para as pontes que unem a ilha ao continente e são a única opção de entrada e saída.

José Silva está acostumado a ver pessoas que dizem lutar pelos seus direitos, mesmo que ele não entenda bem quais são esses direitos. Dizem que o país vai mal, e estão ali para melhorá-lo. Parece bom. As coisas nunca foram fáceis, e a José Silva não parecem muito piores do que antes. Às vezes o dinheiro falta, mas ele consegue se virar. Sempre dá um jeito de conseguir um bico quando se precisa. Ficou a ver o protesto seguir da janela do ônibus, fechando os olhos de vez em quando pelo sono e cansaço, que até faziam esquecer um pouco da fome, e pensando que se é para o melhor, vale a pena.

José Jr. estava sobre a ponte, berrava as palavras de ordem, filmava e fotograva com seu iPhone, abraçado com seus amigos. Sem dúvida, um guerreiro. Quando a maioria se retirava, perto das 23h, ele se recusava, resistia ao frio e a chuva. A causa é justa; a manifestaçaõ não pode parar. Ficou lá, de braços cruzados com outros. Ninguém passará até que nossas demandas sejam ouvidas e atendidas. Afinal, são muitas: passe livre, PEC 37, fim da corrupção, bons hospitais, boas escolas.

Quase duas horas depois, as forças reacionárias e conservadoras soltaram sua polícia repressora, que com violência desnecessária chegava para tentar enfraquecer o movimento. José Jr. saiu da ponte com seus bravos companheiros, pois não queriam enfrentar a polícia truculenta. São protestos pacíficos.

Com as pontes liberadas, José Silva seguiu para sua casa. Não conseguiu pegar o segundo ônibus para completar o percurso e andou por meia hora. Às 3h conseguiu deitar em sua cama, após um banho e uma refeição fria. Precisava dormir, dali a duas horas e meia estaria de pé novamente para mais um dia de trabalho.

José Jr. chegou em sua casa em vinte minutos de caminhada, despediu-se do amigo, que pegou o carro na garagem do prédio de José Jr. e foi-se. José Jr. ainda deu uma olhada no computador para ver as fotos de seus outros colegas e dizer que foi um protesto muito bonito e que o povo não parará por aí. A aula na faculdade fica para semana que vem, afinal já é sexta-feira e ele tem que se recuperar para a balada. Um lutador também pode descansar. Acordará às 14h, com a certeza do almoço pronto.

O Último Desafio (The Last Stand)

É bom ver o velho Schwarzza empunhando uma calibre .12 novamente, no que parece mesmo uma referência aos seus dias de T-101. O Último Desafio é um filme simples, sem pretensões, a não ser reintroduzir Arnold Schwarzenegger como o ator principal. O Conan original é agora um velho xerife de uma pequena cidade próxima ao México. Sua rotina pacata é interrompida quando um perigoso narcotraficante fugitivo do FBI pretende atravessar a fronteira, passando por sua cidade.

Um filme divertido com boas cenas de ação, uma mínima dose de emoção e humor previsível. Conta ainda no elenco com Forest Whitaker, Luis Guzmán, Johnny Knoxville, Peter Stormare e Rodrigo Santoro.

The Last Stand

Se Beber, Não Case! Part III

Seria melhor se houvesse uma despedida de solteiro. Nos filmes anteriores, o grupo tentava rever suas ações da noite anterior, que deixara consequências bizarras no presente. Foram dois filmes muito divertidos.
O atual mudou o ângulo. O grupo passa a viver uma aventura. Ameaçados por um mafioso (John Goodman), devem procurar Leslie Chow (Ken Jeong), que o roubou anos atrás.

O filme acaba por não manter o mesmo ritmo dos anteriores, e chegou a ser tedioso em alguns momentos. As coisas melhoram enquanto o fim vai se aproximando. Chega a ter alguns acontecimentos previsíveis e parece um pouco forçado ao focar muito em Alan (Zach Galifianakis) e Chow para que eles sejam o motor da trama. Conta ainda com uma boa participação de Melissa McCarthy, a Molly da série Mike & Molly.

Não deixa de ser um filme divertido, especialmente para quem tem o riso fácil. Só não está a altura dos anteriores.

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Os Importantes

“Não importa se uma pessoa tem ou não tem virtudes. Não importa, na verdade, o que tenha feito ou deixado de fazer. Basta conseguir que a chamem de ‘importante’ – vai passara vida inteira sendo elogiada, sem que ninguém nunca saiba exatamente o por quê, e sem que precise mostrar serviço. […] Nunca passa pela cabeça de ninguém, digamos, dizer que Camões é um ‘escritor importante’ – ele é apenas, Camões. Não precisa ser chamado de ‘importante’; tem a fama porque tem a obra. Já no caso das eminências com méritos desconhecidos, é o contrário: não têm a obra, só têm a fama.”

A coluna de J.R. Guzzo na revista Veja da última semana vale, sem dúvida, a leitura. Na verdade, o assunto principal é a “proximidade perigosa entre Eike Batista e o Tesouro Nacional”.

Yukusue

Privilegiadamente localizado no Bom Abrigo, com uma bela vista para o mar, o restaurante Yukusue propõe justamente aquilo que os restaurantes de culinária japonesa da Grande Florianópolis precisam, uma opção de buffet (realmente) livre a um bom preço.

A exceção das sobremesas, todos os pratos do cardápio compõem o rodízio, que inicia com um ceviche de salmão e atum. Os sushis não são excepcionais, mas bons. E, verdade seja dita, casam bem com a proposta do estabelecimento. Pelo menos no primeiro pedido.

No segundo começou o martírio. Feito o pedido, esperou-se mais de 25 minutos e nada. Chamou-se o garçom, que confirmou o pedido e disse que estaria na mesa em até 6 minutos. O tempo total de espera superou os 40 minutos, e a comida chegou à mesa sem alguns itens. E, claramente, sem capricho no preparo.

Pedido um suco, o garçom disse que iria verificar a possibilidade, visto que a “máquina” apresentava problemas. O suco não veio, assim como o garçom não voltou para confirmar a impossibilidade e anotar novo pedido.

Novo pedido de rolinhos primavera. Não demoraram tanto, mas o pedido veio novamente errado.

Percebeu-se que outras mesas tinham o mesmo problema, e alguns clientes pareciam reclamar junto ao caixa na hora do pagamento. O que não se viu foi alguém que coordenasse os trabalhos dos garçons. A conta veio com um suco a mais e a falta de uma água (foi corrigido sem problemas).

A impressão final é de que a política do estabelecimento é vencer os comensais pelo cansaço. Uma pena, porque o restaurante deveria ser exatamente o que falta na região: um rodízio livre de boa qualidade com um bom preço.

Outback Florianópolis

Se tem algo pelo que os restaurantes Outback são lembrados é a fila. Chegar na última posição antes que a fila se iniciasse foi um bom começo. Porém, não houve muito mais a destacar.

A tradicional Blooming Onion veio bem menor do que o habitual. Ressalve-se que, de pronto, a garçonete explicou que eles estavam com um carregamento de cebolas menores, mas que nos dariam outra de brinde se quiséssemos. O problema mesmo é que a cebola estava com forte gosto de queimado e foi necessário pedir a substituição do prato. Atendidos, veio uma cebola maior e mais picante do que eu recordava. Boa, mas não convencido que uma cebola frita possa valer R$31,50.

As Ribs on the Barbie (R$44,90), outro marco do restaurante, estavam boas, mas com o gosto da massa de tomate usada no molho barbecue sobressaindo ao gosto de defumado. As batatas que as acompanham deixaram a desejar, meio murchas e mirradas.

O que decepcionou mesmo foi o prato Chicken Fingers Jumbo (R$33,90), cuja descrição diz: “pedaços de frango empanados, servidos com molho Honey Mustard e fritas”. Grifou-se “pedaços” justamente porque tal descrição deu a entender que seriam como nuggets quando, na verdade, foram apresentados quatro pequenos filés de frango empanados soltos no prato com um molho sem graça. As fritas foram substituídas por Arroz Tasmânia, este sim uma boa surpresa: arroz com cogumelos, lascas de amêndoas, alho-poró e temperado com limão.

Django Unchained (2012)

Não há como não ver logo de cara que a verdadeira estrela de Django Livre é Christoph Waltz. Assim como em Bastardos Inglórios, o austríaco rouba a cena já nos primeiros momentos.

O filme de Quentin Tarantino tem todos os elementos do diretor: a comicidade, os longos diálogos com um quê filosófico e a violência exagerada, por vezes gratuita e desnecessária.

O escravo Django (Jamie Foxx) é resgatado pelo Dr. King Schultz (Waltz) – um dentista que ganha a vida como caçador de recompensas -, com o intuito de identificar três irmãos procurados pela justiça. Schultz acaba por ser afeiçoar a Django e sua busca por sua esposa Brunnhilde (Kerry Washington), uma escrava criada por senhores alemães, e partem para resgatá-la de uma fazenda no Mississippi.

A busca os leva até a fazenda Candyland, comandada pelo cruel e impiedoso Calvin Candie (Leonardo DiCaprio). Felizmente, a última empreitada de DiCaprio como vilão não lembra em nada a pífia interpretação em O Homem da Máscara de Ferro. Candie adora a cultura francesa – prefere ser chamado de monsieur a mister -, mas seu apreço não lhe rendeu mais do que um superficialíssimo conhecimento de Os Três Mosqueteiros, e menos ainda de seu autor, o que não o permite entender a ironia de uma de suas execuções.

A outra presença marcante fica por conta de Samuel L. Jackson na pele do antigo escravo que se torna praticamente “da família” e assessor do “sinhô”. A caricata interpretação de Jackson é um dos melhores pontos cômicos do filme.

Ainda, Walton Goggins mostra porque vem ganhando respeito como ator. Após interpretar o irritante Shane na série The Shield, Goggins é atualmente o principal antagonista em Justified, com elogiada atuação. Seus poucos momentos no filme são marcantes, principalmente quando tem Django em suas mãos.

É um filme longo (165 min.), mas que não se arrasta, mesmo nas cenas com diálogos mais compridos.

A única observação é que o filme se coloca dois anos antes da Guerra Civil Norte-Americana, período em que, salvo engano, os revólveres e espingardas de Samuel Colt ou Smith & Wesson ainda não eram produzidos em larga escala. Detalhe irrelevante, claro, em contrapartida à diversão que o filme proporciona.

Django Livre

O Incêndio de Santa Maria

Quantos deixariam de ir a um local se soubessem que os alvarás estão vencidos ou não existem? Não que alguém se preocupe com isso quando decide sair de casa para um bar, boate ou restaurante. Afinal, essa fiscalização é uma incumbência do poder público, que deveria ter a confiança do cidadão e não uma imagem de ineficiência e corrupção.
Quantos deixam de ir a um local que rotineiramente está superlotado, sufocante e cujo tratamento dispensado aos clientes não é exatamente de primeira qualidade? Todos reclamam de ônibus lotados, que nesses são tratados como gado. A diferença é que em um lugar se consente e no outro não? Em nome da “diversão” tudo é válido?
Quantos alvarás uma casa noturna precisa para funcionar? Três? Quatro? Prefeitura, bombeiros, polícia civil, vigilância sanitária, quem são os responsáveis? O que o cidadão espera é que, independente de quem os emita e quantos sejam, todos estejam em dia e que só tenham sido concedidos em total consonância com a lei.
A boate Kiss, local da tragédia, possuía apenas uma saída, apesar de decreto estadual (1998) exigir ao menos duas. Mesmo assim, recebeu os alvarás para funcionamento.
O delegado, como uma brilhante encarnação do Capitão Retrospectiva, disse que a boate não poderia estar funcionando em razão das diversas irregularidades. E por que, então, funcionava?
Fogos de artifícios, sinalizadores e instrumentos similares oferecem risco quando manuseados por profissionais. Por amadores então…
Diversos fatores combinaram para a ocorrência da tragédia e vários são os culpados. Que punições podem compensar a perda de mais de 230 vidas? Será esse incêndio um marco para uma mudança definitiva no país no funcionamento dos estabelecimentos abertos ao público ou tudo voltará à “normalidade” depois que o tempo esmorecer os brados por justiça (daqueles não relacionados com as vítimas, como normalmente ocorre)?
Por enquanto, a surpresa verdadeira é que não haja mais acontecimentos como esse com certa regularidade.
Capitão Retrospectiva

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