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O Jogo dos Tronos – Livros x TV

29/04/2014

O último episódio, “Oathkeeper”, trouxe marcantes diferenças entre o livro e a série. Que há necessidade de adaptação é indiscutível. Mas até que ponto essa adaptação pode deturpar aquilo que está escrito ou mudar a atmosfera do livro?

A impressão que fica é que os produtores encaram o público exclusivamente televisivo como menos capazes e, por isso, o enredo precisa ser simplificado, mais redondo, mais explicado, com muito menos pontas soltas. Uma das coisas boas dos livros é que muitos acontecimentos são deixados a cargo da imaginação do leitor. Alguns são tratados como se fossem uma referência, quando um personagem morre durante uma viagem, por exemplo, sem que qualquer detalhe seja revelado. As coisas aconteceram; é só. Em uma época em que a melhor forma de comunicação à distância são corvos correio, as pessoas não precisam mesmo se perder em minúcias. O importante é saber que algum fato ocorreu e, daí, traçar as ações a serem tomadas.

A morte de Joffrey, por exemplo, é tratada no livro de uma forma que deixa, até o momento, para o leitor tentar desvendar quem foi o assassino, enquanto na TV, este é praticamente apontado (só faltou surgir uma placa com uma seta sobre a pessoa), além da revelação de uma conspiração que, se tem sua razão de ser, não restou bem explicada de qualquer forma.

As oferendas feitas por Craster: no livro, sabe-se que Craster pegava os bebês e os deixava na floresta. Supunha-se que ele, de alguma forma, trocava os bebês por sua segurança. Não foi dito que algum “caminhante branco” o levaria para ser transformado por algum tipo de círculo de clérigos/líderes. Agora, criou-se uma expectativa sobre quem são os zumbis chifrudos enquanto no livro “os outros” apenas são. Eles vêm e não importa de onde e o motivo. Eles são uma nuvem de gafanhotos, uma força da natureza. Eles vêm, e é melhor o resto do mundo estar preparado.

Acaba-se por perder preciosos minutos com explicações desnecessárias. Se o autor não as dá em centenas e centenas de páginas (o livro mais longo até aqui tem 864 páginas e o mais curto, 592), por que resolveu fazê-lo na TV?

Uma das críticas que a ótima série True Detective recebeu foi justamente por não ter esclarecido a trama do rei amarelo e o círculo de pessoas que sacrificavam mulheres em rituais pagãos. Ainda que se desejasse um pouco mais de informação, o principal era que Rust e Marty fizeram aquilo que podiam em mundo sobre o qual não têm controle. De qualquer forma, os dois eram o principal do enredo, o crime, o cimento a uni-los.

Essa opção da produção não torna a série ruim, claro, porém algo mais rústico no desenrolar dos acontecimentos poderia evitar alguns diálogos e cenas tediosos e dar mais do que os quinze minutos finais para os acontecimentos principais de cada episódio.

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From → Livros, Televisão

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