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True Detective

12/03/2014

Fantástica.

A (mini) série é a amostra definitiva de que as produções para a TV têm superado em muito as produções de Hollywood.

Do magnetizante primeiro ao extremamente tenso último episódio, as nuances é que são o melhor. Cada detalhe traça o perfil e constrói as personagens ao longo dos oito episódios. Seja um olhar, um movimento ou uma pegada na mão para preparar o golpe seguinte.

A série abre com dois detetives, em salas (momentos?) separadas, relatando a outros dois investigadores a solução de um caso antigo quando ainda eram parceiros: uma garota foi encontrada morta no que parece a consequência final de um ritual pagão.

Marty (Woody Harrelson) é o homem comum, um policial casado e com duas filhas vivendo um casamento estagnado; religioso e com as falhas morais encontradas em qualquer pessoa, ainda que boa; destemperado, facilmente levado pelas emoções, mas sempre tentando manter um ar digno e justificar suas ações.

Rust Cohle (Matthew McConaughey) é um policial marcado pela perda da filha, misantropo, descrente de qualquer coisa a não ser que a vida é aquilo que é e que acaba no grande vazio da morte. Meticuloso, inteligente e capaz de adentrar a psiquê alheia com facilidade, é um mestre em extrair confissões. Racional e frio em todas as situações, mesmo para se defender quando sua vida está por um fio. Antissocial, procura relacionar-se o mínimo necessário com o colega de trabalho.

No que concerne ao perfil dos detetives, o passado (anterior ao crime) de Rust mostra o que ele é; enquanto o presente (durante a investigação) de Marty culmina no homem que narra parte dos fatos. Em dado momento, eles acabam por perceber que a verdade não é aquilo que está diante deles e que as consequências para os atos são pesadas, que aquilo que foi tomado por garantido é facilmente perdido. Essas cenas são tão tocantes quanto angustiantes e acontecem quando deveriam. Uma dose de emoção espetacular para uma narrativa que foi, na maior parte do tempo, distante.

Somente a excelente direção (Cary Fukunaga) não seria suficiente para dar tanta magnitude à série. McConaughey atua tão brilhantemente que quase torna a série um show de um homem só. Às vezes, parece que os outros estão lá apenas para que ele não fale sozinho, mas se houvesse apenas ele na tela, ainda assim tudo indica que seria ótimo. Impressionante como o vencedor do Oscar foi de “ugh, esse cara” para “caramba, Matthew McConaughey”.

A expectativa quanto à conclusão da trama é apenas acentuada pela certeza de que os dois não participarão de uma possível nova temporada, pois a ideia é trazer uma nova estória caso se confirme a continuação da série. Isso faz com que haja maior incerteza para o final que o espectador possa querer.

Não foi perfeita: a descoberta final para localizar o vilão (principal) foi forçada/apressada, mas não chegou a comprometer. E embora o final em si não deixe de ser polêmico, especialmente para quem desenvolveu/acompanhou teorias a respeito do Rei Amarelo,  o que se deve perceber é que o mais importante é o drama das vidas apresentadas e não o crime em si.

E ainda que alguns que fatos não tenham sido completamente elucidados ao final deixem a audiência curiosa, isso também não deixa de ser um reflexo do mundo real, em que nem tudo pode ser resolvido. Não é possível ter controle sobre tudo.

A HBO mais uma vez produziu um fantástico evento para a televisão, que não deixa a desejar em nada para qualquer cinéfilo entediado com a atual safra de filmes.

True Detective

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From → Televisão

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