Nada demais, ainda que forte, se for para resumir bem resumido.
O filme transporta para o cinema a história de um homem negro livre traficado para o sul dos Estados Unidos, onde se torna escravo. Há as personagens de sempre: o senhor bonzinho (Benedict Cumberbatch), o senhor mau, os escravos bem e mal tratados, o feitor cruel, a senhora amarga, entre outras mais comuns que compõem o gênero. Também estão presentes chibatadas que Mel Gibson teria aprovado para o seu A Paixão de Cristo.
O vencedor do Oscar não traz nada de diferente no gênero, porém traz grandes interpretações. Nenhuma superior a de Paul Giamatti que, nos poucos minutos em tela, rouba a cena como um mercador de escravos. Outra grande atuação é a de Michael Fassbender, como o senhor insanamente corroído por seus desejos e caprichos e uma esposa rancorosa, que busca a satisfação de usa a escrava vivida por Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante, para alívio desses desejos e escape de sua fúria. Ela também não tem muitos minutos e, fora uma cena de seus castigos, não há nada excepcional. Fica a dúvida se venceu porque realmente nada de melhor se viu na concorrência ou pela vontade da Academia de premiar novos rostos.
Cabe ainda destaque para Paul Dano, como o invejoso e covarde Tibeats, e Chiwetel Ejiofor no papel principal.
Dizer que o filme é ruim seria uma inverdade em virtude de tão boas atuações, mas não há qualquer surpresa no rumo dos acontecimentos, permitindo que facilmente se antecipe a sequência destes. Nada demais exatamente por causa disso e forte porque fica na memória algum tempo após o seu fim.