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Dois Josés Protestam

21/06/2013

Em Florianópolis, os protestos ganharam força. José Silva e José Jr. participaram do evento. Este combinou a participação com seus amigos pelo Facebook, ajudou a escolher as palavras de ordem, onde se encontrariam e como colaborariam com esse grande movimento nacional.

Algum tempo depois, José Silva entrou no ônibus que o levaria para casa após o dia de trabalho quando viu aquela massa de pessoas se deslocando para as pontes que unem a ilha ao continente e são a única opção de entrada e saída.

José Silva está acostumado a ver pessoas que dizem lutar pelos seus direitos, mesmo que ele não entenda bem quais são esses direitos. Dizem que o país vai mal, e estão ali para melhorá-lo. Parece bom. As coisas nunca foram fáceis, e a José Silva não parecem muito piores do que antes. Às vezes o dinheiro falta, mas ele consegue se virar. Sempre dá um jeito de conseguir um bico quando se precisa. Ficou a ver o protesto seguir da janela do ônibus, fechando os olhos de vez em quando pelo sono e cansaço, que até faziam esquecer um pouco da fome, e pensando que se é para o melhor, vale a pena.

José Jr. estava sobre a ponte, berrava as palavras de ordem, filmava e fotograva com seu iPhone, abraçado com seus amigos. Sem dúvida, um guerreiro. Quando a maioria se retirava, perto das 23h, ele se recusava, resistia ao frio e a chuva. A causa é justa; a manifestaçaõ não pode parar. Ficou lá, de braços cruzados com outros. Ninguém passará até que nossas demandas sejam ouvidas e atendidas. Afinal, são muitas: passe livre, PEC 37, fim da corrupção, bons hospitais, boas escolas.

Quase duas horas depois, as forças reacionárias e conservadoras soltaram sua polícia repressora, que com violência desnecessária chegava para tentar enfraquecer o movimento. José Jr. saiu da ponte com seus bravos companheiros, pois não queriam enfrentar a polícia truculenta. São protestos pacíficos.

Com as pontes liberadas, José Silva seguiu para sua casa. Não conseguiu pegar o segundo ônibus para completar o percurso e andou por meia hora. Às 3h conseguiu deitar em sua cama, após um banho e uma refeição fria. Precisava dormir, dali a duas horas e meia estaria de pé novamente para mais um dia de trabalho.

José Jr. chegou em sua casa em vinte minutos de caminhada, despediu-se do amigo, que pegou o carro na garagem do prédio de José Jr. e foi-se. José Jr. ainda deu uma olhada no computador para ver as fotos de seus outros colegas e dizer que foi um protesto muito bonito e que o povo não parará por aí. A aula na faculdade fica para semana que vem, afinal já é sexta-feira e ele tem que se recuperar para a balada. Um lutador também pode descansar. Acordará às 14h, com a certeza do almoço pronto.

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From → Política, Sociedade

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