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A Legalização das Drogas

02/06/2011

O jogo Bioshock trata de uma sociedade estabelecida no fundo do oceano. Andrew Ryan, personagem criador da cidade submersa, idealizou uma sociedade livre de amarras morais e religiosas, o que traria avanços inimagináveis em relação a humanidade limitada por esses cabrestos.

A derrocada do sonho de Ryan começa quando se descobre que uma lesma marinha produz uma droga capaz de alterar o gene humano, dando habilidades extraordinárias aos seus usuários. O uso irrestrito da droga enlouquece as pessoas, transformando-as em maníacas homicidas atrás de cada vez mais droga. Enquanto todos buscam mais e mais ADAM, a tal substância, uma disputa política é travada, em que os splicers (usuários da droga) se tornam peões no jogo do poder.

A alegoria do jogo revela que toda sociedade precisa de regras, morais ao menos, e preferencialmente bem delimitadas, além do mal que as drogas causam. O aspecto do uso da droga no jogo é agravado porque esta age em um dos pontos mais fracos do ser humano: a vaidade.

Legalizar as drogas é um passo atrás para a evolução social humana. É sabido que em toda história, as sociedades fizeram uso de drogas, de forma individual ou coletiva, para fins pessoais ou religiosos. É impossível extirpar completamente esse mal social, mas é possível controlá-lo através de leis severas tanto para os traficantes quanto para os usuários. Não se combate um comportamento abrandando as consequências para seus praticantes, como o Brasil insiste em fazer.

Os que defendem a legalização da maconha alegam que álcool e o cigarro comum têm consequências mais maléficas do que a Cannabis sativa. É um argumento fraco simplesmente porque tenta incentivar um erro baseado em outros. Atualmente, a humanidade caminha na direção da busca da melhor qualidade de vida pela valorização da saúde e bem-estar. A cada ano, procura-se restringir e desestimular mais o fumo. Campanhas são deflagradas apelando para o consumo moderado do álcool. Não se proíbe essas duas substâncias porque já estão de tal forma enraizadas que a medida geraria muito mais problemas do que benefícios, basta lembrar a lei seca implantada nos Estados Unidos na década de 1920. No entanto, perceba-se que nesse caso se parte da legalidade para a proibição.

Por sua vez, a legalização das drogas traria mais problemas do que os já existentes. O Brasil receberia duras críticas no cenário internacional e certamente teria suas relações estremecidas com várias nações, entre elas os Estados Unidos. Os norte-americanos têm especial interesse na América do Sul, pois são aliados no enfrentamento de organizações paramilitares/terroristas como as FARC, que se financiam pelo tráfico de entorpecentes. Legalizar as drogas seria um convite brasileiro para que organizações dessa estirpe caminhassem livremente pelo território nacional com suas “mercadorias”, chegando ainda mais facilmente aos mercados europeu e africano.

Internamente, haveria o risco de uma escalada da violência. Como assim, se a legalização visa exatamente diminuir as estatísticas criminais? Simples: pelo princípio de que a lei penal deve retroagir para beneficiar o réu. Quantas pessoas cujo crime é o meio de vida seriam soltas? Certamente, com sua fonte de renda anterior esgotada ou severamente comprometida, procurariam novas maneiras de abastecer seus cofres: sequestros, roubos, exploração sexual, novas milícias. Lembrando que traficantes são adeptos e capazes de qualquer violência para obter seus fins. E ainda persistiriam o tráfico das drogas não chanceladas para consumo pelo governo e o crime de descaminho – em nova modalidade – muito comum com os cigarros hoje.

A questão vai muito mais além de se poder fumar um baseado ao ar livre. Tratá-la como mera liberdade individual é grande irresponsabilidade para com as gerações atual e futura.

A man has choices, I chose the impossible. I built a city where the artists would not fear the censor, where the great would not be constrained by the small, where the scientist would not be bound by petty morality. I chose to build Rapture. But my city was betrayed by the weak. […] We all make choices, but in the end, our choices make us.

(Andrew Ryan)

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From → Direito, Jogos, Sociedade

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