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Gravidade

O filme trata de uma equipe que trabalha no reparo do telescópio Hubble é atingida por detritos causados pela explosão de um satélite russo e deve lutar para sobreviver. Ou seja, a culpa continua a ser dos russos mesmo que não de um jeito tradicional. Uma das várias sutilezas do filme.
As personagens são muito bem construídas, de um jeito natural e logo nos primeiros momentos. Matt Kowaslki (George Clooney) é um astronauta em sua última missão; calmo, espirituoso e de grande empatia. Por sua vez, a Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) está em sua primeira viagem ao espaço e, por isso e outros motivos, é insegura e abnegada, cujo trabalho é a razão de viver.
Embora a lição final não seja original, a maneira como a estória é contada e as relações se estabelecem procura fugir dos clichês, mesmo quando esses são inevitáveis, o que torna Gravidade um filme que parece trazer um alento de renovação. Justificado, sem dúvida, está o prêmio de melhor diretor para Alfonso Cuarón pela condução do filme. Assim como é compreensível que se reclame da falta da estatueta de melhor filme, apesar dos sete Oscars, pois é bem superior a Doze Anos de Escravidão. Ainda, a bela música completa a ambientação perfeitamente.
Um filme curto para os padrões atuais, mas na medida certa para que a estória seja contada. Alívio cômico, drama e suspense em doses perfeitas. Dá para sentir a agonia e o esforço dos personagens girando pelo espaço e tentando se agarrar a uma tábua de salvação tanto material quanto espiritual.
Segue um curta que se relaciona com o filme, traz um “semi spoiler“.

Gravidade

 

 

Choque de Gerações

Ontem: paro o carro para que um senhor idoso atravesse na faixa da pedestres e os outros motoristas fazem o mesmo. O senhor atravessa correndo, com um sorriso aberto, acenando em forma de agradecimento aos motoristas, com a mão erguida, como se quisesse que até o último motorista pudesse ver.

Hoje: paro o carro para um estudante atravessar na faixa de pedestres. Atravessa falando/mexendo ao/no telefone celular como se o mundo todo tivesse que se submeter aos seus passos lentos.

Que geraçãozinha de merda.

True Detective

Fantástica.

A (mini) série é a amostra definitiva de que as produções para a TV têm superado em muito as produções de Hollywood.

Do magnetizante primeiro ao extremamente tenso último episódio, as nuances é que são o melhor. Cada detalhe traça o perfil e constrói as personagens ao longo dos oito episódios. Seja um olhar, um movimento ou uma pegada na mão para preparar o golpe seguinte.

A série abre com dois detetives, em salas (momentos?) separadas, relatando a outros dois investigadores a solução de um caso antigo quando ainda eram parceiros: uma garota foi encontrada morta no que parece a consequência final de um ritual pagão.

Marty (Woody Harrelson) é o homem comum, um policial casado e com duas filhas vivendo um casamento estagnado; religioso e com as falhas morais encontradas em qualquer pessoa, ainda que boa; destemperado, facilmente levado pelas emoções, mas sempre tentando manter um ar digno e justificar suas ações.

Rust Cohle (Matthew McConaughey) é um policial marcado pela perda da filha, misantropo, descrente de qualquer coisa a não ser que a vida é aquilo que é e que acaba no grande vazio da morte. Meticuloso, inteligente e capaz de adentrar a psiquê alheia com facilidade, é um mestre em extrair confissões. Racional e frio em todas as situações, mesmo para se defender quando sua vida está por um fio. Antissocial, procura relacionar-se o mínimo necessário com o colega de trabalho.

No que concerne ao perfil dos detetives, o passado (anterior ao crime) de Rust mostra o que ele é; enquanto o presente (durante a investigação) de Marty culmina no homem que narra parte dos fatos. Em dado momento, eles acabam por perceber que a verdade não é aquilo que está diante deles e que as consequências para os atos são pesadas, que aquilo que foi tomado por garantido é facilmente perdido. Essas cenas são tão tocantes quanto angustiantes e acontecem quando deveriam. Uma dose de emoção espetacular para uma narrativa que foi, na maior parte do tempo, distante.

Somente a excelente direção (Cary Fukunaga) não seria suficiente para dar tanta magnitude à série. McConaughey atua tão brilhantemente que quase torna a série um show de um homem só. Às vezes, parece que os outros estão lá apenas para que ele não fale sozinho, mas se houvesse apenas ele na tela, ainda assim tudo indica que seria ótimo. Impressionante como o vencedor do Oscar foi de “ugh, esse cara” para “caramba, Matthew McConaughey”.

A expectativa quanto à conclusão da trama é apenas acentuada pela certeza de que os dois não participarão de uma possível nova temporada, pois a ideia é trazer uma nova estória caso se confirme a continuação da série. Isso faz com que haja maior incerteza para o final que o espectador possa querer.

Não foi perfeita: a descoberta final para localizar o vilão (principal) foi forçada/apressada, mas não chegou a comprometer. E embora o final em si não deixe de ser polêmico, especialmente para quem desenvolveu/acompanhou teorias a respeito do Rei Amarelo,  o que se deve perceber é que o mais importante é o drama das vidas apresentadas e não o crime em si.

E ainda que alguns que fatos não tenham sido completamente elucidados ao final deixem a audiência curiosa, isso também não deixa de ser um reflexo do mundo real, em que nem tudo pode ser resolvido. Não é possível ter controle sobre tudo.

A HBO mais uma vez produziu um fantástico evento para a televisão, que não deixa a desejar em nada para qualquer cinéfilo entediado com a atual safra de filmes.

True Detective

12 Anos de Escravidão

Nada demais, ainda que forte, se for para resumir bem resumido.

O filme transporta para o cinema a história de um homem negro livre traficado para o sul dos Estados Unidos, onde se torna escravo. Há as personagens de sempre: o senhor bonzinho (Benedict Cumberbatch), o senhor mau, os escravos bem e mal tratados, o feitor cruel, a senhora amarga, entre outras mais comuns que compõem o gênero. Também estão presentes chibatadas que Mel Gibson teria aprovado para o seu A Paixão de Cristo.

O vencedor do Oscar não traz nada de diferente no gênero, porém traz grandes interpretações. Nenhuma superior a de Paul Giamatti que, nos poucos minutos em tela, rouba a cena como um mercador de escravos. Outra grande atuação é a de Michael Fassbender, como o senhor insanamente corroído por seus desejos e caprichos e uma esposa rancorosa, que busca a satisfação de usa a escrava vivida por Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante, para alívio desses desejos e escape de sua fúria. Ela também não tem muitos minutos e, fora uma cena de seus castigos, não há nada excepcional. Fica a dúvida se venceu porque realmente nada de melhor se viu na concorrência ou pela vontade da Academia de premiar novos rostos.

Cabe ainda destaque para Paul Dano, como o invejoso e covarde Tibeats, e Chiwetel Ejiofor no papel principal.

Dizer que o filme é ruim seria uma inverdade em virtude de tão boas atuações, mas não há qualquer surpresa no rumo dos acontecimentos, permitindo que facilmente se antecipe a sequência destes. Nada demais exatamente por causa disso e forte porque fica na memória algum tempo após o seu fim.

12 Anos de Escravidão

Robocop (2014)

Mesmo se não houvesse comparação com o original (1987), o Robocop de José Padilha seria um filme sofrível. Comparado com o anterior, deve ser desconsiderado. Personagens sem carisma e mal construídos e um roteiro muito fraco acompanhado por uma trilha sonora idem.

A Detroit decadente e de valores morais perdidos foi esquecida. Em seu lugar, uma cidade limpa, organizada e que parece um paraíso se comparada a sua antecessora. É difícil identificar um vilão principal, apesar de se apontar para o mais do que batido inescrupuloso-empresário-multinacional-capitalista (Michael Keaton). Até o assassino do policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) é completamente secundário. E não falta, claro, a corrupção policial.

Há também o alívio cômico, pouco engraçado, na forma de Pat Novak (Samuel L. Jackson), um apresentador revestido do estereótipo republicano. Entre as incoerências: Se Robocop tem uma arma incapacitadora, por que ele apelaria para força letal? Afinal, o policial ideal deveria neutralizar a ameaça, não necessariamente para sempre. Se o Robocop não resistiria ao calibre .50, como ele resistiu aos disparos dos ED-209?

Outra vantagem do original é a “desrobotização” de Murphy, que se dá passo a passo, com o conflito surgindo conforme o filme avança. Neste, o policial já começa com a consciência de ser uma pessoa, perdendo-a momentaneamente. E o dilema por que passa seu construtor, o cientista interpretado por Gary Oldman, também não parece muito relevante, visto que ele pode por sua ética de lado assim que a situação exige.

É um filme raso, capaz de ser esquecido assim que as luzes acendem.
Robocop

Sangiovese Forneria

Se fosse uma série televisiva, a pizzaria seria um spin off da premiada Cantina Sangiovese, do chef Helton Costa.

Também localizada em Santo Antônio de Lisboa, a pizzaria aproveita a bela vista que o local proporciona.

Uma massa finíssima, leve, com ingredientes de qualidade teriam proporcionado uma ótima noite se não fosse pelo serviço atrapalhado.

O primeiro pedido, uma pizza dividida entre alcachofra com presunto de parma e caprese veio inteira no primeiro sabor. Havia sido trocada com a mesa ao lado. O problema foi resolvido logo. Uma pequena confusão compreensível, visto que os pedidos eram semelhantes, apesar da casa vazia.

No segundo, o que deveria ter sido metade queijo brie com presunto de parma e metade suprema foi apresentada como metade brie e metade trio de cogumelos. Questionado, o garçom consertou, dizendo ser mesmo a suprema. No prato, não parecendo mesmo com o que foi pedido, solicitou-se o menu e viu-se que foi servida uma”saborosa” no lugar da suprema.

Antes disso, já havíamos notado que a mesa em frente, com umas dez pessoas que chegaram posteriormente, também estava tendo problemas com os pedidos; no caso, as bebidas.

Para ajeitar as coisas, nos foi servido uma pizza do tamanho de um prato com o sabor suprema. Ora, o que deveria ser feito era servir metade de uma pizza grande no sabor solicitado e não uma espécie de brotinho em substituição.

Na conta, o couvert artístico estava adicionado à mão, sem qualquer aviso da opcionalidade, o que só foi explicado após se perguntar. As pizzas foram cobradas pelo valor mais alto e não médio. Não questionamos, embora não tenhamos reparado aviso sobre isso, o que é comum, no cardápio. E o valor de um suco veio errado. Em resumo, muitos equívocos para uma noite só.

A qualidade da pizza – muito boa – acabou por ficar em segundo plano. A expectativa era encontrar uma pizzaria apta a brigar pelo topo da cidade, mas não foi dessa vez.

The Counselor

Ao custo de R$20,00, ir ao cinema deve ser reservado aos filmes que causem algum tipo de arrebatamento ao final. O Conselheiro do Crime não é esse tipo de filme. Começou mal com o péssimo título nacional, que não dá qualquer significado à trama. Michael Fassbender é o tal counselor – na verdade, um tratamento em inglês para os advogados -, cuja vida milionária está ameaçada e, por isso, resolve entrar no negócio de seu cliente, o traficante Reiner (Javier Bardem). Ambos estão apaixonados por sua mulheres, Laura (Penélope Cruz) e Malkina (Cameron Diaz), respectivamente. E, a sua maneira, ambas as relações representam perigo a eles. O roteiro leva a assinatura de Cormac McCarthy, autor do livro que se tornou Onde os Fracos Não Têm Vez. As filosofadas através de longos diálogos são marcas do autor, mas nesse filme há certo exagero. Todo personagem parece ter algo a dizer a respeito do grande esquema das coisas e não se faz de rogado, o que, salvo por uma boa conversa mais próximo ao fim, dá certo enfado ao andamento do filme. Este não tem grandes cenas de ação, mas as poucas são muito bem feitas. O que não deixa o filme perder completamente a mão é a grande presença de seus atores, como Brad Pitt e Bruno Ganz, além dos supracitados. E para quem é fã de A Guerra dos Tronos, Natalie Dormer, Margaery Tyrell na série, faz uma participação.

The Counselor

The Blacklist

James Spader é um ator sensacional. Pena que tem sido subaproveitado ao longo dos anos; mais notáveis são o bom Secretária entre eles e participação no recente Lincoln. Sua presença na série The Pratice como o advogado Alan Shore – personagem inicialmente secundário – foi tão interessante, que resultou no spin off Boston Legal, que começou muito bem, mas perdeu a mão nas temporadas finais.
Agora, Spader ressurge em nova série da NBC – The Blacklist – como Raymond “Red” Reddington, um militar renegado norte americano que se entrega ao FBI, trazendo informações sobre um terrorista. Para contar o que sabe, ele exige a presença de Elizabeth Keen (Megan Boone), uma novata criminologista especializada em perfis criminosos e com algum mistério no seu passado.
Nada de muito original, mas que desperta interesse inicial pela presença de Spader. A relação entre Reddington e Keen poderia remeter ao relacionamento entre o Dr. Hannibal e a agente Clarice em O Silêncio dos Inocentes. É nessa convivência que a série deverá focar, pelo visto no piloto.
O primeiro episódio foi muito bom, embora uma cena ou outra mais emotiva fosse dispensável.

Que a série seja realmente boa e, sendo, tenha vida longa.
Spader interpretará também Ultron no novo filme dOs Vingadores. Tomara que os dois papéis lhe abram novos caminhos em Hollywood.

"I'm a criminal. Criminals are notorious liers. Everything about me is a lie."

“I’m a criminal. Criminals are notorious liars. Everything about me is a lie.”

Eu quero ser ministro do STF

Quando eu crescer, quero ser ministro do STF para poder fazer a própria lei.
Parece que o que menos faz o tribunal guardião da Constituição é protegê-la.
Cotas, união homossexual e, agora, o “mandato salame“, nas palavras do ministro Gilmar Mendes. Por sua vez, o recém empossado ministro Barroso – que concebeu a teoria do depende-da-prisão e que parece mudar de ideia ao sabor do vento – quer ser o revisor da Constituição.

 

Patriotismos, Regionalismos, Bairrismos…

É engraçado aquele tipo de pessoa que vive a cantar as belezas, alegrias e vantagens de sua terra, ainda que viva em outro lugar. Claro que algumas pessoas podem estar afastadas de sua terra natal por motivos diversos contra suas vontades, por isso, refere-se aqui às pessoas que mesmo achando sua pátria, cidade ou bairro a melhor coisa da civilização não cogitam voltar.
Se está em outro lugar para “ganhar a vida” é porque não encontrou oportunidades de onde veio, portanto, isto, por si só, desmente a tese que é o melhor dos lugares.
Todos têm seus prós e contras, mas esse louvor exagerado soa como arrogância (e até hipocrisia). Como disse George Bernard Shaw: “Patriotismo é a convicção de que seu país é melhor que os outros porque você nasceu nele”.

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